O soberano da dor- Eduardo Mesquita


As vozes que sinto vindas do infinito
Despertam em minha alma o soluçar
De bocas mudas que num só grito
Atroam aos poucos o meu despertar.

São as vozes dos que padecem sem amar
E que fazem do meu viver um mito
“Deixem-me, não vêem como estou aflito”
Respondem as vozes, “tens que nos reinar”.

Me sentam num trono como um imperador
Que pelos desventurados foi eleito
E descubro finalmente o lugar certo...a dor.

Quão bem me sinto no meu novo leito
No lugar dos que sofrem, em que sou o maior
Nas trevas que guardo, fechadas em meu peito.

Eduardo Mesquita.

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