A vida de Pastor- Rama Lyon


Ainda o sol não despontou
A dar vida à paisagem,
Já o pastor encaminhou
O rebanho prá pastagem.

Segue o ditado de outrora
Como seu pai já dizia,
Ser ao romper da aurora
Que começa um novo dia.

Leva às costas o cajado
Em madeira de castanho
Com que vai guiando o gado
Na traseira do rebanho.

E seu cão, sempre atento,
A qualquer rês tresmalhada,
Vai na frente, rabugento,
Com a cauda levantada.

Quando chegam ao destino
Tudo fica em calmaria,
O rebanho põe-se fino
A pastar durante o dia.


À noite volta de novo
Com a graça do Senhor,
Como bom filho do povo
Que optou em ser pastor.

No curral descansa o gado
Com o cão por companhia
E até mesmo o cajado
Fica à espera dum outro dia.


Comentários

Eduardo Mesquita disse…
Este poema com toda a simplicidade que transparece faz de cada um de nós um pastor ou pelo menos ficar com a vontade de o ser. Sei que é uma vida dura, mas sei também que é uma vida com muita paz que só a natureza nos pode oferecer.
Gostei muito de ter posto em pormenor o cajado, o unico apoio de uma vida laboriosa e que sempre acompanha o pastor.
Um abraço.
Eduardo.