Charneca em flor - Florbela Espanca



Enche o meu peito, num encanto mago,
O frémito das coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meus olhos as lágrimas apago...

Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!

E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu bruel,
E já não sou, Amor, Soror Saudade...

Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!

Florbela Espanca










Comentários

Viviana disse…
Olá Fernanda

Peço desculpa por a minha ausência, mas estou com obras de reparação na casa da aldeia, o que me leva a passar o dia todo fora.

Mais alguns dias e se Deus quiser voltará tudo ao normal.


Gosto muito deste poema da Florbela Espanca. Aliás, de todos os seus poemas...

Era uma mulher muito especial.
Lamento que tenha sofrido tanto e que tenha partido tão cedo.

Um grande abraço para si e para o Eduardo.

Viviana