ESTILHAÇOS DO TEMPO- João Murty



Ondas de sonho, onde o sol se estilhaça
e o poema voga em meu peito escondido.
Gemendo de dor, escorraça o amor sofrido,
no grito d´alma, que me envolve e abraça.

Pudesse eu amar, sem padecer de ciúme.
Entre os estilhaços do sol e as ondas da lua,
acorrenta-se o tempo, que o martírio acentua.
Perfume de sombras, penumbra de lume!

Meu corpo de amor, aos poucos se desnua,
despindo as vestes da adolescência.
Ao sol brilha a pueril inocência,
ufanias do tempo, fragrâncias da lua.

Na onda do sonho de ígneo apogeu,
a alma declama no púlpito da eternidade.
Poema que o peito derrama, vertendo saudade,
grito que se desprende às portas do céu...

João Murty

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